Evidências de uso recreativo da cannabis datam de pelo menos 2500 anos.

Uma equipe de estudo analisou achados arquelógicos de um cimitério a oeste da china que evidencia um dos primeiros registros do uso recreativo da planta Cannabis Sativa sp.

O cemitério de Jirzankalem é um local de escavação na planície de Pamir, território do atual Tajiquistão,é uma região importante da Ásia Central, nesta região é situada uma das mais antigas estradas da humanidade, ela  começa em Osh, no Quirguistão meridional, e prossegue até Khorog, na fronteira entre Tadjiquistão e Afeganistão. A leste, caminhos secundários direcionam à China; ao sul, suas ramificações levam ao Paquistão.

Em junho de 2019 um time da Academia de Ciências Chinesa analisou resíduos encontrados em braseiros de madeira, utilizados em cerimônias neste cemitério, eles extraíram amostras de 10 braseiros e 4 pedras (as pedras eram aquecidas e colocadas sobre o braseiro), 9 dos 10 braseiros continham resíduos de cannabis. Estes resíduos apresentavam principalmente CBN, CBN conhecido subproduto da degradação de THC, e curiosamente, nenhum subproduto da degradação de CBD, substância conhecida por suas propriedades medicinais.

Este achado reabriu a discussão sobre o uso de substâncias psicotrópicas para fins recreacionais e ritualísticos. Primeiramente discutido no final do século 19 e início do século 20,  após a descoberta do uso de uma bebida alucinógena ritualística, chamada Soma, na tradução dos textos Rig Veda (Livro dos Hinos),texto de 5000 anos atrás.

O texto descreve o uso da Soma em festas e para a aproximação com os deuses,Indra e Agni, que eram retratados consumindo-a em quantidades copiosas.Era também conhecida como a bebida da imortalidade, e com recentes achados arqueológicos na rússia hoje sabemos que era preparada a partir de cogumelos da família strophariaceae, que contém psilocibina, um estimulador do sistema nervoso. 

A cannabis é uma das plantas mais antigas cultivadas no leste da Ásia, semeada para obtenção de grãos e fibras, bem como para fins recreativos, medicinais e ritualísticos. Atualmente é uma das substâncias psicoativas mais utilizadas no mundo, mas pouco se sabe sobre quando as plantas cultivadas desenvolveram o traço fenotípico de aumento da produção de compostos psicoativos. Evidências arqueológicas para o consumo ritualístico de cannabis são limitados e controversos. 

Meng Ren e colaboradores, apresentam em seu trabalho intitulado: As origens do fumo de cannabis: evidências de resíduos químicos do primeiro milênio ac nos Pamirs , algumas das primeiras evidências diretamente datadas e cientificamente verificadas para o consumo recreativo da cannabis. O trabalho sugere que a cannabis foi fumada como parte de atividades rituais e/ou religiosas no oeste da China há pelo menos 2.500 anos e que as plantas de cannabis produziram altos níveis de compostos psicoativos.

Indicando que as pessoas poderiam estar cultivando cannabis e possivelmente selecionando ativamente espécimes mais fortes ou escolhendo populações de plantas com metabólitos secundários terpeno-fenólicos naturalmente altos.  Alternativamente, um processo de domesticação através da hibridização entre subespécies selvagens e cultivadas pode ter inadvertidamente levado a plantas produtoras de produtos químicos mais fortes através da dispersão humana e seleção subsequente.

Arigo Escrito por: Thiago Gnecco Bueno Gomez

Neurocientista – Vice Presidente da APCESP

Para mais conteudos nos sigam nas redes sociais.

Fontes:

Ren, M., Tang, Z., Wu, X., Spengler, R., Jiang, H., Yang, Y., et al. (2019). The origins of cannabis smoking: chemical residue evidence from the first millennium BCEin the Pamirs. Sci. Adv. 5:eaaw1391. doi: 10.1126/sciadv.aaw1391

M. D. Merlin, Archaeological evidence for the tradition of psychoactive plant use in the Old World. Econ. Bot. 57, 295–323 (2003).

R. E. Schultes, Antiquity of the use of New World hallucinogens. Heffer Rev. Psychedelic Res. 1, 1–7 (1998).

H.-E. Jiang, L. Wang, M. D. Merlin, R. C. Clarke, Y. Pan, Y. Zhang, G. Xiao, X. Ding, Ancient Cannabis burial shroud in a central Eurasian cemetery. Econ. Bot. 70, 213–221 (2016)

Arigo Escrito por: Thiago Gnecco Bueno Gomez

Neurocientista – Vice Presidente da APCESP

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Fontes:

Ren, M., Tang, Z., Wu, X., Spengler, R., Jiang, H., Yang, Y., et al. (2019). The origins of cannabis smoking: chemical residue evidence from the first millennium BCEin the Pamirs. Sci. Adv. 5:eaaw1391. doi: 10.1126/sciadv.aaw1391

M. D. Merlin, Archaeological evidence for the tradition of psychoactive plant use in the Old World. Econ. Bot. 57, 295–323 (2003).

R. E. Schultes, Antiquity of the use of New World hallucinogens. Heffer Rev. Psychedelic Res. 1, 1–7 (1998).

H.-E. Jiang, L. Wang, M. D. Merlin, R. C. Clarke, Y. Pan, Y. Zhang, G. Xiao, X. Ding, Ancient Cannabis burial shroud in a central Eurasian cemetery. Econ. Bot. 70, 213–221 (2016)

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Thiago Gomez

About Thiago Gomez

Atuo como Vice-Presidente da APCESP e tenho como norte a dismistificação da Cannabis Sativa sp. e o acesso a tratamento com produtos à base de cannabis a todos as pessoas elegiveis independente de sua condição social.